A Régua da Vida
- Juliana Vicente de Souza

- 24 de nov. de 2024
- 2 min de leitura
Em 2018, fui confrontada com um diagnóstico de câncer, um período diferente de tudo que já havia vivido, mas profundamente transformador. Foi um momento que me levou ainda mais perto de Cristo e me ensinou lições preciosas sobre a vida e a eternidade. No meio dessa jornada, Deus me presenteou com uma visão que mudou minha perspectiva para sempre.

Era madrugada quando fui despertada por uma imagem clara e simbólica: duas réguas. A primeira tinha números em ordem crescente (0, 1, 2, 3...), representando o crescimento. A segunda estava em ordem decrescente (70, 69, 68...), simbolizando o tempo de vida. Então, ouvi Deus sussurrar em meu espírito: “Filha, toda vez que alguém está perto dos zeros, ou tem a consciência deles, vive mais feliz.”
Naquele momento, Deus estava me revelando uma verdade simples, mas poderosa: a felicidade está em como vivemos e em como enxergamos o tempo que temos.
A régua crescente reflete nossa trajetória de vida. Quando somos bebês, choramos apenas por necessidades básicas – fome, dor, cansaço – mas encontramos alegria nas coisas mais simples: um sorriso, um abraço, o som da voz de alguém amado. Porém, à medida que crescemos, parece que o sorriso se torna algo caro. Não aceitamos mais o "simples" e queremos que a vida nos ofereça motivos para ser feliz. É como se perdêssemos a capacidade de sorrir gratuitamente, e reclamamos de tudo que está fora das nossas grandes expectativas.
Já a régua decrescente nos lembra da nossa mortalidade. Quando enfrentamos algo que ameaça nossa vida, como uma doença, ou ao nos aproximarmos da velhice, passamos a enxergar o valor das coisas simples que antes negligenciávamos. Apreciamos o sol que nasce, o cheiro do café, o riso de alguém querido.
Deus me mostrou que a consciência da nossa finitude é libertadora. Não se trata de viver com medo da morte, mas de valorizar a vida. É o que o salmista expressou ao dizer:
“Ensina-nos a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria” (Salmos 90:12).
Quando estamos "perto dos zeros" – seja no início da vida ou com a consciência do fim – somos levados a viver mais intensamente, a amar mais profundamente e a nos preocupar menos com coisas pequenas.
A vida nos convida a equilibrar essas duas réguas. Crescemos, amadurecemos, mas não podemos perder o olhar de uma criança que encontra beleza no ordinário. Valorizamos o tempo que temos, mas sem viver sob o peso da pressa ou da preocupação. Precisamos viver conscientes de que cada dia é uma dádiva e que, ao invés de esperar pelas grandes alegrias, podemos encontrá-las nos pequenos momentos.
O câncer me ensinou que o tempo é precioso, mas não é o tempo que define nossa felicidade. É o que escolhemos fazer com ele. Voltar aos zeros significa escolher a simplicidade, confiar em Deus como uma criança confia em seus pais, e caminhar sabendo que cada dia é um presente divino.
Que Deus nos ajude a viver mais perto dos zeros – com corações leves, cheios de alegria, e com a eternidade em perspectiva.




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